segunda-feira, 30 de agosto de 2010

APELO A UM CARO AMIGO

Meu caro:
É madrugada,
o sono me furta
e na tentativa de driblá-lo
eu ligo o som.
"...saudade,
nada a declarar,
porque eu gosto é de rosas acompanhadas de um bilhete,
eu nada sei,
é preciso amor, é preciso paz,
é isso aí, há quem acredita em milagres,
há quem não saiba dizer a verdade..."
Canções maravilhosas!
Sinto uma emoção forte,
mas também,
uma melancolia muito doída.
Meu caro, por onde você anda?
Esqueceu-se da promessa que me fizeste?
Você me fez juras!
Jurou proteger-me dos males
que me assombra.
Jurou que seguraria na minha mão!
Pois é,
hoje, mais do que nunca,
eu preciso de você,
do seu ombro,
da sua ternura
e da sua sabedoria.
Você, por muitas vezes,
dizias-me o que fazer.
Você, mostrava-me o caminho menos tortuoso.
Eu o tomava
e era mágico:
o meu destino voltava a se construir.
Estou me sentindo em uma encruzilhada,
perdida neste mundo de desencontros.
Preciso de um caminho seguro!
Por favor, mostre-o a mim.
Não me abandone, justamente agora!
Volte, se possível, meu caro!
Só você é capaz de ler-me e entender-me.
Só você pode sentir as minhas dúvidas, sem questioná-las.
O meu pensamento está fragmentado
e desordenado.
Estou só,
desesperada,
gritando pela sua ajuda,
porém,
a minha voz não alcança os seus ouvidos.
Tenho medo
do escuro que se fez na minha alma.
Tenho medo
que esta escuridão mate a certeza que eu tenho
de que amanhã haverá luz.
Tenho medo
da minha alma generosa.
Tenho medo
do meu corpo mortal.
Volte,
vem depressa,
não demore, por favor, meu caro,
salve-me das entranhas profundas da ignorância,
que se apossou de mim.
É o meu pedido de socorro,
meu caro amigo!

Sônia, na companhia de lápis, papel e um computador.

Um comentário:

Fernando Martins disse...
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